quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Um 2018 de muita polenta e Berlusconi's!

Finalizado o capítulo acampamento escoteiro, iniciamos o capítulo Juliana vagando pela Itália!

Sexto dia - 29/12/2017 (sexta-feira): Eu e o Manu acordamos cedo e fomos à feirinha de rua para comer algumas coisas (já disse que AMO feirinhas de rua?). O Manu é tipo o vereador da cidade: todo mundo passava cumprimentando e conversando com ele.

Manuzito modelando nas feirinhas!
Depois de uma rodada de batata frita (super italiano... he he he), fomos de carro até Treviglio para que eu comprasse o chip de celular italiano.
Como todos podem perceber, eu sou a pessoa mais desorganizada do universo e acabei esquecendo meu passaporte. 
Dica da Juliana: para comprar um chip de celular na Itália, você precisa de seu passaporte.

DESCULPA MANU!!!!!

Resultado: tivemos que voltar, belos e formosos, sem chip (mas valeu o passeio até Treviglio, apesar de Caravaggio ser bem mais bonita e sensacional #puxasaquismo).
Depois de cinco dias sensacionais, dei tchau ao Manu e segui viagem rumo à supimpa cidade de Milão. 

Para hospedagem da cidade, eu ficaria em couchsurfing (CS). Já explicamos anteriormente o que é CS, mas, aos desavisados, o CS é uma comunidade internacional que você pode se hospedar na casa de alguém, receber alguém na sua casa, participar de eventos (como as meetings semanais), etc...
Antes de ir para a cidade, entrei em contato com o Alessandro para ver se ele poderia me hospedar, e ele aceitou! A casa dele ficava próxima à estação de trem Lambrate, então foi um local bem tranquilo de se hospedar (Milão tem metrô, você pode andar tranquilamente pela cidade inteira por 4,50 euros por dia, que é o preço do ticket diário).

Selo Juliana de aprovação
Essa foi a primeira vez que eu efetivamente “couchsurfava” na casa de outra pessoa, e foi uma experiência muito legal! O Alessandro nasceu na ilha Cagliari (Sardegna) e contou várias coisas da infância dele, dos festivais de música que participou e inclusive me deixou provar uma bebida típica da região.
Como já era final da tarde, o Alessandro sugeriu de irmos à meeting semanal que acontecia ali perto da sua casa (40 minutos de caminhada – Xuliana congelando), e claro que eu topei. Essas meetings acontecem em um determinado dia da semana na maioria das cidades (por exemplo, em Curitiba as meetings acontecem nas quintas), e reúne a comunidade local e os couchsurfers
A meeting em Milão não foi a mais divertida que já participei, acho que, em partes, foi porque sentamos em uma mesa de uns italianos malas, que só tinham piadas internas. Mas deu para conversar em italiano, conhecer algumas pessoas novas e... MANGIAARE! 
Como já estava tarde, voltamos à casa do Alessandro e fomos descansar, porque no outro dia faríamos um tour por Milão.

Sétimo dia - 30/12/2018 (sábado): Acordamos cedo e aproveitamos a manhã para visitar os pontos centrais da cidade, como o Duomo, o Castello Sforzesco, comer o Panzerotto do Luini, dar 3 voltas nos bago do cavalo da Galeria Vittorio Emanuelle para garantir meu retorno a Milão (foto ilustrativa abaixo) e mostrar ao Alessandro alguns lugares que eu tinha descoberto na minha última viagem a Milão, como a Chiesa San Bernardino Delle Ossa.
A lenda é que se você der três voltas com o pé estrategicamente
colocado nos bago do cavalo, você garante seu retorno à Milão
Duomo di Milano
Após batermos perna pela cidade maravilhosa de Milão, o Alessandro sugeriu que fizéssemos o Free Walking Tour do Couchsurfing, que começaria às 14h em frente ao Duomo.
Topei na hora, afinal, seria uma oportunidade de encontrar outros couchsurfers e passear ainda mais por Milão.
A ideia foi sensacional! No walking tour tinham dois alemães (olááá Marilene), cinco indianos, dois italianos e mais um pessoal que não sei a nacionalidade. O nosso “guia” era um couchsurfer que nos levou a alguns pontos da cidade, contando as curiosidades e dando dicas do que fazer e o que comer.
O americano, o Philipe (alemão) e a Sushi (indiana)
Nosso guia era o de touca vermelha
Nosa jureg, que Milão má educada
Ao final do tour, ficamos em Navigli, que é um dos lugares mais divertidos na vida noturna milanesa! Durante a noite, vários bares ficam abertos para você desfrutar do típico “aperitivo”: você paga pela bebida e pode comer à vontade! 

Milano Navigli
Philipe (alemão), Giovanni (napolitano) e o Alessandro (meu couch)
Sushi queridíssima!
Claro que não daria certo no Brasil, porque eu já ia levar uns quatro tupperware pro barzinho pra garantir meu almoço da próxima semana! BRINCADEIRINHA, AMO MEU PAÍS, NUNCA FARÍAMOS ISSO 😳
Depois de provarmos alguns vinhos, conhecermos um bar super divertido em Navigli, fomos a uma “discoteca” que, supostamente, teria uma balada topzera.
ÓÓBVEO que o rolê miou, que o DJ da balada tinha passado mal e não apareceu para tocar (já disse que sou a pessoa mais pé frio do mundo?!). Apesar da ausência DJ’ística, a noite foi o máximo! Demos risada com o pessoal, fizemos novos amigos e nos divertimos um monte.
A única filmagem que fiz da noite

Como o metrô de Milão fecha meia noite e já eram 3 da manhã, voltamos com o nightbus e fomos descansar, porque amanhã eu voltaria a Caravaggio para passar o ano novo com o Manuel e a turminha.

 Sétimo dia - 31/12/2018 (domingo): Acordei de manhã e separei minha mala para voltar à linda cidade de Caravaggio. Como meu trem partia umas 16h, combinei com o pessoal do couchsurfing de almoçarmos juntos em uma pizzaria napolitana.


Depois do almoço (com direito à represália do alemão por eu ter escolhido uma cerveja de acompanhamento da pizza “ARE YOU HAVING BEER IN THE MORNING!?” – migo, meio dia já é hora de cerveja, principalmente se você está na Itália), tive que dar tchau para o pessoal, porque não podia ficar mais nem um minuto com vocêsss, me desculpem amoreees, mas não pode ser, MOOORO EM CARAVAAAGGIO, se eu perdesse aquele trem, que saia de tarde às 16h, SÓÓ AMANHÃ DE MANHÃ.
Então garrei rumo à estação de trem, dei adios ao meu querido host Alessandro, que me recebeu super bem, e fui encontrar o Manuel para nossa festa de final de ano.

Enquanto o ano novo de 2013 que passamos com nossos amigos italianos foi regado a intermináveis tamborins japonês (relato completo aqui), essa festa de Ano Novo superou todas minhas expectativas! 
O grupo que organizou a festa se chama “Dietro a la Barca”, que é um grupinho de rolezeiros de Caravaggio que o Manu é amigo. 
Com direito à polenta (afinal, o que é uma festa italiana sem polenta?), músicas típicas italianas (estilo evidências), fotos do Berlusconi na parede, guerra de fogos de artifícios, fantasia única do Manuel e shots especiais de ano novo, a minha festa de ano novo 2017/2018 foi inesquecível!


Não me perguntem o que o Nicola estava
 fazendo com um cortador de grama no meio da festa

Quando si mangia la bella polenta, la bella polenta si mangia così
Manu melhor pessoa, sim ou sim?

Chi è nato a marzo, si alzi si alzi!

OOO Berlusconiii


Animais Fantásticos: A Guerra das Varinhas
Já de madrugada, voltamos a Caravaggio e dormimos na casa da Silvia, já que no outro dia eu seguiria minha viagem para Modena.

Campeggio di Re Artù e dei suoi cavalieri

Quando decidir ir à Itália, falei com o Manuel e ele disse que os escoteiros iriam acampar no final do ano em um lugar sensacional, chamado Alpe Paglio. Como eu estaria nas redondezas, fui convidada para participar o "campeggio" com a galera!
Então o post será dedicado à narração dos três dias animais de acampamento.

Terceiro dia - 26/12/2017 (terça-feira): Acordamos bem cedo e fomos ao Grupo Escoteiro do Manuel (Scout di Caravaggio, se não me engano).
A sede escoteira deles era bem legal, parecida com a nossa! Até gravei um vídeo para guardar a recordação desse lugar genial:



Infelizmente, a Giu estava passando mal, então não iria de chefe escoteira com a gente. A chefia seria: Manuel, Silvia, Simone , Nicola e... EU (4 chefes e ½ hehe).
Colocamos as mochilas no ônibus e saímos um pouco atrasados, já que o Manuel resolveu abrir um compartimento do ônibus que não podia e quase quebrou o busão. MAS DEU TUDO CERTO, o motorista consertou a arte Manuelesca e seguimos viagem.
No caminho até o Alpe Paglio, eu resolvi contar aos escoteiros que nunca tinha visto NEVE. Claro que a gringa brasileira acha que todas as palavras de italiano são diferentes, então contei pra todo mundo que nunca tinha visto “nebbia” – todos ficaram com cara de “wooow, ela nunca viu nebbia”.
Passados 15 minutos, o ônibus passou por um lugar cheio de neblina e todo mundo correu para mim falando “óóiaaa, você acabou de realizar seu sonho de ver nebbia!!!”. A tonta da Juliana achava que nebbia era neve, então sai contando pra todo mundo que nunca tinha visto NEBLINA.

AMIGUS, eu moro em CURITIBA, neblina é meu segundo nome!!!
E “neve” em italiano? É NEVE. DÃÃÃ. 

Depois de desfazer o mal entendido NEVE X NEBBIA, chegamos até o ponto máximo que o ônibus podia nos levar. Descemos do busão e colocamos as mochilas nas costas para começarmos a nossa “caminhadinha”.

A caminhadinha até o cume se tornou um trekking de quase 2 horas, mas foi sensacional! O lugar era maravilhoso, as paisagens de tirar o fôlego (que eu já nem tinha mais) e ficava cada vez mais lindo.

Enfim, chegamos ao topo do Alpe Paglio e nos dirigimos ao nosso alojamento Rifugio Disolin. Nem preciso dizer quão maravilhoso era o lugar, você vão ver nas fotos!

Após um lanche e a Juliana ficar babando na paisagem, a Chefia deu início à ambientação do acampamento e às atividades. O Campeggio Invernale (acampamento de inverno) tinha como fundo de cena le Soterie di Re Artù e dei suoi cavalieri (A história do Rei Arthur e seus cavaleiros), então as atividades tinham como tema de fundo a lenda dos cavaleiros da távola redonda, as histórias do Mago Merlim e de como Arthur encontrou a espada mística.
Na primeira rodada das atividades, eu auxiliei o Simone a aplicar um jogo KIM (jogo dos sentidos) – foi bem tranquilo, mas estava muuuuito frio.
E então aconteceu, realizei meu sonho (não o de ver neblina): COMEÇOU A NEVAR!
Já dá pra imaginar minha cara de alegria olhando os floquinhos caindo do céu.Foi maravilhoso! 

A alegria da criança de brincar na neve

Finalizadas as atividades, os pais de apoio prepararam a janta de todos e, devidamente alimentados, todos se reuniram para cantar algumas músicas italianas. Nesse ponto, notei que uma diferença quanto ao nosso escotismo: além de ter uma relação direta com a religião (no caso deles, com a igreja católica), o escotismo foi uma forma de resistência ao nazifascismo. Assim, muitas das músicas cantadas tinham conotação política e eles realmente ficavam muito emocionados cantando (e cantavam afinados!!! A Silvia até fez eles repetirem uma música porque não tinham alcançado o tom – Viu, Ana Luiza, você não pode ser escoteira italiana!). 
EEEILA Ô EILA SHEEILA
Levei um pouco do Brasil para eles também: cantei desafinadamente algumas músicas dos escoteiros brasileiros, levei paçoquinha e doce de leite e contei um pouco sobre como era o escotismo brasileiro. 
Após a escoteirada ir dormir, nós ficamos na cozinha com os pais de apoio contando histórias e jogando. Eles ensinaram um jogo super legal, chamado Tokio (também conhecido como Bluff a 21). A ideia do jogo é jogar os dados e fazer uma combinação de números maior do que a do amiguinho – caso sua combinação seja menor, você pode usar o artifício do “miguézão” e dizer que foi mais alto, torcendo para que ele não duvide de você. Se ele duvidar, você deve mostrar seus dados – caso você seja pego MENTINDOXX, sai do jogo; caso seja verdade o seu número, o seu amigo sai e você pontua.
Por sorte de principiante, arrasei na primeira rodada de Tokio. 

Finalizados os jogos e após o lanchinho noturno, todos foram dormir, já que amanhã teríamos mais uma rodada de atividades.

Quarto dia - 27/12/2018 (quarta-feira): Quando eu acho que o Alpe Paglio não poderia ficar mais bonito, acordo de manhã e descubro que nevou a noite inteira! Resultado: neve de quase 60 cm!
Os alpes eram surreais! Parecia que tinha um papel de parede na frente dos meus olhos!
Eita lugar lindo!


Aproveitamos o dia para brincarmos na neve, realizar meu sonho de construir um “pupazzo di neve”, fazer esquibunda (literalmente) e congelar! 


Juliana e Giuseppe, il pupazzo di neve!
Silvia no esquibunda

Claro que a brasileira que mora em um país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza não tinha roupa decente para neve, então ficou correndo feliz da vida com uma calça jeans encharcada. Na hora de tirar a calça até achei que minha perna iria junto... 
O dia foi bem tranquilo, fizemos alguns jogos, cantamos umas músicas, almoçamos, jantamos, lanchamos (novamente, a máxima da viagem: mangia che ti fa bene!) e comemos. 
Tive a oportunidade de ver como é a promessa escoteira italiana e achei o máximo!

Juro que não estava dormindo, só estava olhando para o chão!!!  
A promessa conduzida por um padre, afinal, o grupo é católico
A cerimônia da promessa escoteira
De noite, a chefia montou um jogo noturno para os escoteiros, que era um caça ao tesouro na neve! Eles tinham que sair (no frio de -10ºC) e procurar um tesouro escondido (não lembro se era uma espada ou uma cruz, mas sei que tinha um pergaminho). Após encontrarem um pergaminho com uma mensagem secreta, teriam que “levar a luz” até os cavaleiros, ou seja, teriam que acender uma vela e andar até uma tocha, enquanto a chefia jogava “palle di neve” (bolas de neve), na tentativa de apagar a tocha. 
Queria ter filmado a minha tentativa de explicar às crianças EM ITALIANO o que eles deviam fazer (admito que uma hora desisti e expliquei em inglês, porque eles são muito ninjas e entendiam tudo).
AH, eu também quase ferrei o jogo inteiro, porque, quando estávamos preparando o jogo, o Manu me deu as tochas e disse, em italiano, para eu encontrar a chefia na pista de ski. Claro que não entendi para onde devia ir e fui com as tochas para um lugar bizarro, parecendo uma garagem... Depois de uns 20 minutos, o Simone veio me resgatar, após concluírem que eu não tinha entendido bulhufas do que era pra fazer he he he
Desgraceiras italianas à parte, foi o melhor jogo noturno que já vi na vida! Acho que o fator neve contribuiu bastante com essa maravilha! 
Silvia e Manu preparando o jogo noturno
Após o jogo, todos voltaram ao abrigo e se prepararam para a segunda parte do jogo noturno: o teatro nas sombras. Como eu disse anteriormente, a Giu não pôde ir ao acampamento, porque acabou passando mal. Assim, adivinhem quem teve que assumir o papel dela no teatro de sombras, sendo a “strega Medessa” (bruxa Morgana)? Sí, io, Juliana!
Graças aos céus a Silvia tinha várias cópias da história, então eu pude acompanhar o teatro com o papel, porque o Nicola (na figura de mago Merlino com um sotaque napolitano) não facilitou muito a compreensão da história (nem os italianos entenderam tudo que ele estava falando! Hehehe)


Nem preciso dizer que foi o máximo a atividade! Mais um dia de missão cumprida!
Ao final da noite, jogamos um pouco de Tokio e fomos dormir.

Quinto dia - 28/12/2018 (quinta feira): : “Neeeeeve, Insegnaaami tu come cadeeere”. Era oficial, eu não ia embora daquele lugar surreal!
Nevou mais uns 30 cm naquela noite, então a paisagem que já era linda ficou MERAVIGLIOSA!


Começamos o dia com uma missa dos escoteiros (lembrando, o escotismo deles é vinculado à igreja católica).
Após a missa, os chefes separaram as meninas dos meninos para que fizessem o “jogo democrático” deles, ou seja, o jogo para que escolhessem a atividade do próximo semestre. Particularmente, achei a atividade deles sensacional! Eram três grupos de interesse apresentando e defendendo diferentes atividades (como subir uma montanha, visitar uma cidade diferente ou fazer um vídeo), mas ao final todos teriam de entrar em um consenso e escolher uma atividade. 
Jogo democrático dos escoteiros
Depois dessas atividades, uma das meninas apresentou uma especialidade de primeiros socorros e recebeu o distintivo. Como eu tinha levado uns distintivos dos escoteiros brasileiros, entreguei a ela o nosso distintivo de primeiros socorros! Ela ficou mega emocionada com a lembrança (SOU UM DOCE DE PESSOA, NÉ!?)
Com muito muito frio e tristes de ir embora, arrumamos as mochilas e demos adeus (ou arrivederci) ao Alpe Paglio, porque nosso Campeggio Invernale tinha chegado ao fim.
Nem estava frio...

Na descida de aproximadamente 1h30 até os ônibus, fiz um intensivo de política italiana com o Manuel, que me contou tudo sobre o governo italiano, os partidos políticos (legga, movimento cinque stelle, etc...), Berlusconi, Bolsi, preconceito na Itália, imigrantes, etc...
Expliquei para ele um pouco sobre a política brasileira (impressionante o quanto eles sabem da política brasileira! Sabiam do impeachment da Dilma, da prisão do Lula, etc...). Foi um momento bem legal! Obrigada pela aula, Manu!!!

A volta até Caravaggio foi super animada! Os escoteiros foram cantando várias músicas divertidas, como “Hanno ucciso l'uomo ragno, chi sia stato non si sa", la bella polenta e até o hino da Itália. Um dos escoteiros pediu que eu cantasse o hino do Brasil, e eu não sei por que cargas d’água me deu um branco e eu não tinha a menor ideia de como era o nosso hino. Coitados, devem ter achado que eu tinha um problema mental... 


Chegamos no Grupo Escoteiro ao final da tarde e, ao finalizarmos a atividade, agradeci imensamente a acolhida e dei algumas lembrancinhas dos escoteiros brasileiros (distintivos, arganeis, etc...). Muito obrigada pela oportunidade de acampar com vocês, Manu e Chefia! Vocês são show! Com certeza, foi um dos melhores acampamentos escoteiro da minha vida! 
Finalizada oficialmente a aventura escoteira, deixamos nossas mochilas na casa e fomos comemorar e contar as histórias do acampamento em um bar de Caravaggio! A Jude já estava melhor, então nos acompanhou até o bar e ficou rindo das histórias que contamos, como o Juliano congelando no acampamento, sobre meu desastre no papel de bruxa dela, etc.... 
Voltamos à casa do Manuel e preparei minha mala para passear em Milão (eu voltaria para Caravaggio para o ano novo). 

Quindi, Juliana, torna in Italia

Como é de praxe nesse blog, sempre atualizamos as nossas viagens com mega delays, quando baixa o Chico Xavier na gente ou quando realmente estamos no tédio e queremos lembrar nossos passeios.
Assim, a CIA das Portes orgulhosamente apresenta o relato do:


MOCHILÃO DE JULIANA PORTES PELAS TERRAS ITALIANAS
Pela primeira vez, a viagem seria planejada somente por mim, então, obviamente, todos estavam mega tranquilos, porque sabem que sou super organizada e manjo muito de compra de passagens e roteiros.
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Tá, é mentira, eu sou a negação da família em organização de viagens.
Só para terem uma ideia, as duas únicas viagens na minha vida que tive que organizar acabei fazendo caquinha: a primeira foi um simples passeio para Balneário Camboriú (cidade que eu visito todos os anos e fica a 3 horas de Curitiba), quando comprei a passagem errada: ao invés de comprar CURITIBA – BALNEÁRIO, comprei duas passagens de retorno de BC (hehehe) – chorei um monte na rodoviária e o moço ficou com dó de mim, então deixou eu trocar sem pagar nada.
A outra foi uma viagem à Ilha do Mel, que eu, linda e formosa, pensando em ficar em um hotel chique, phyno e perto da badalação, iria escolher a pousada na parte da Ilha chamada Brasília, e não em Encantadas (que é mais roots e parado). No momento da escolha, a Dona Andrea falou expressamente “Julianinha, por que você não reserva a pousada do Arlindo (Brasil Tropical), que nós já conhecemos e gostamos?”, e Juliana responde “AAARGH MÃE, a pousada do Arlindo é nos cafundós, quero ficar perto das b-a-l-a-d-a-s!”.
Obviamente, Juliana reservou o suposto hotel chiquérrimo de Brasília e, quando chegou à ilha, descobriu não só o hotel que reservou era em ENCANTADAS, como também era 30 minutos a mais de caminhada para FRENTE da pousada do Arlindo E o suposto hotel “chique e phyno” não tinha sequer janelas nos quartos (as janelas eram mosqueteiros). 


Então, com base nas minhas experiências organizacionais, vocês podem ter ideia do medo que toda família estava de abandonar Julianinha no aeroporto rumo às terras italianas.

MAS EU FUI. E VOLTEI VIVA. HÁ. 

Agora irei contar sobre como esses trinta dias de viagem foram os mais sensacionais da minha vida (até o momento):


PREPARAÇÃO: Juro que deviam fazer um seriado sobre mim, porque as pessoas iam rir muito de como eu sou a pessoa mais zoada do universo. Dois dias antes da viagem, em uma sexta feira, dia 22/12/2017, Dona Andrea entra no quarto de Juliana e diz “você já arrumou a mala da viagem?” não. “você já cotou as passagens internas?” não. “você sabe qual será o roteiro” não. “você tem ideia do quanto irá gastar?” nããão.

Hue, sim, eu não tinha preparado coisica nenhuma e não tinha ideia se os 900 euros que tinha seriam suficientes para passar 19 dias viajando.

MAS TAMO AEEEE. 
Tá, depois de levar uma bronca de 15 minutos, eu arrumei minha mala para a viagem). 
Mosse ajudando na arrumação
O sorriso escondendo o desespero de fazer tudo caber na mala
Primeiro dia - 24/12/2017 (domingo)Após um maravilhoso almoço de Natal em família, peguei o voo em direção ao aeroporto de Garulhos, para a escala. 
Até o Pateta foi me levar no aeroporto!
Agora é real!!! Itália, estou a caminho!
A desgraceira da viagem já começou ali: o celular que eu peguei emprestado da minha mamadi para bater fotos lindas simplesmente pifou. Puf. Tela preta.
Xexus, pensa em uma pessoa que foi chorando (literalmente, eu estava em prantos) até São Paulo, imaginando o que faria para encontrar os amigos italianos quando chegasse em Milão. Isso porque eu chegaria na Itália por Milão e pegaria um trem até a cidade do meu amigo Manuel – claaaro que eu não anotei o nome da cidade, o telefone do Manuel, o endereço dele ou qualquer coisa que identificasse para onde eu devia ir, até porque O QUE É A VIDA SEM ALGUNS RISCOS NÉ AMIGUS (rindo de nervoso).


Como tenho um anjo da guarda que deve ser formado em TI, o celular voltou a funcionar em Garulhos e deu tudo certo (amém).

Segundo dia - 25/12/2017 (segunda-feira): O voo foi super tranquilo, não tinha nenhum argentino com escova de dente elétrica do meu lado (traumas de viagem que nunca serão esquecidos), então cheguei ao tão esperado destino: l’Aeroporto di Milano Malpensa.
O aeroporto fica um tanto quanto afastado do centro de Milão, mas é só pegar um trem do Aeroporto até o centro de Milão, que é bem tranquilo (apesar de ser um pouco caro, custa € 12).
Depois de pegar o trem até a Estação Central de Milão, peguei outro em direção à cidade de Treviglio para encontrar o Manuel, que me levaria de carro até a cidade dele, Caravaggio. Caravaggio é uma cidade da província de Bergamo com 17 mil habitantes e, por ser pequena, o acesso de trem é feito pela cidade maior – Treviglio. 
Próxima parada: Treviglio
Chegando na estação de trem de Treviglio, lá estava o meu queridíssimo amigo Manu e sua amada namorada, Silvia. Fui super bem recebida pelos dois, MAS MEU ITALIANO TAVA Ó, UNA BUESTA. Sim, fiz 2 anos de italiano e, quando visitei eles no meio do ano (julho/2017), estava falando até que tranquilamente, conseguia me comunicar bem. Mas a falta de prática do meio do ano me pegou, eu não conseguia nem falar “SCUSA SE TI AMO”! Então decidi me comunicar só pela mãozinha italianesca.
Claro que minha decisão de mutismo italiano não deu muito certo, até porque eu falo pelos cotovelos e também pelo fato de que na casa do Manuel a família toda dele estava celebrando o Natal! Imaginem uns 25 italianos sentados ao redor de uma mesa, com umas quatro gerações da família, comendo e dando risada (diga-se de passagem: eu cheguei na casa do Manuel umas 19h, mas todos estavam na mesa comendo desde às 11h da manhã!!! Como era mesmo o lema da italianada, “mangia che ti fa bene”?).
Foi um momento super divertido, conversamos sobre política, cultura brasileira, família italiana, etc... 
No começo da janta eu estava meio desesperada, porque eles falavam comigo e eu não entendia uma palavra do que estavam dizendo (até pensei em processar o CELIN na hora, porque meus dois anos de italiano aparentemente não tinha servido para nada hehe), mas depois que o Manuel viu minha cara de desespero ele me explicou que a família estava falando em Bergamasco, que é um dialeto da região – bem diferente do italiano “normal”. Com a mediação do Manu, eles trocaram o idioma para o italiano (aeee, adesso io capisco tutto!)

Ao final da janta/almoço/café da manhã, eu já me sentia parte da família Rochetti!
Também fui à casa da Silvia para conhecer a família dela, que estavam comemorando com uma janta igualmente deliciosa e com direito à música ao vivo, pela pianista Silvia:


Ao final da tarde, fomos até o grupo de escoteiros do Manuel para organizarmos algumas coisas do acampamento e encontramos alguns dos amigos do Manu que também iriam acampar com a gente, o Simone, o Nicola e a Giuditta (Giu). Fizemos também um breve tour por Caravaggio e conheci a igreja/santuário da cidade: Santa Maria del Fonte.


MOMENTO CAPITAL CULTURAL: O Santuário é do século XV, mas foi reconstruído entre o século XVII e XVIII. Anualmente, o Santuário recebe cerca de 2 milhões de peregrinos, visto que existe uma crença de que o Santuário foi construído no mesmo lugar onde a Virgem Maria teria aparecido em 1432 a uma jovem camponesa.

Depois de passear pela cidade, voltei à casa do Manuel para descansar, já que iríamos acampar por três dias e sairíamos cedo no outro dia.
Antes de dormirmos, o Manu me mostrou que tinha guardado vários presentes que mandamos a ele, como o cartão de natal. 
Nem preciso dizer que eu já estava mega emocionada com toda a recepção da família dele e fiquei mais feliz ainda ao ver como ele gostava da nossa amizade! *MOMENTO LÁGRIMAS NOS OLHOS*
Eu devia ter ganhado o prêmio do Guiness de “dia que mais rendeu”, porque nas 5 horas que estava em Caravaggio consegui fazer tudo isso! Mas mal sabia que eu a viagem só estava começando e que só ia melhorar...